O Cristão e o Dinheiro

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Toda a questão relativa ao cristão e seu dinheiro é tão complicada e tão pessoal que há certa hesitação em apresentá-la. Contudo, é de tanta importância que aquele que deseja se qualificar como um bom servo de Cristo não ousa evitá-la a fim de não ser considerado rejeitado no dia do acerto de contas.

O problema deve ser tratado à luz das Escrituras. O povo de Deus terá razões para agradecer ao homem que tiver coragem de discuti-lo.

Quatro considerações devem reger a nossa oferta cristã. São elas:

1. Nossa oferta deve ser sistemática

Primeiro, devemos observar que entregamos de nosso sustento para o Senhor regularmente. É muito fácil adotar o hábito de esquecer-se de fazê-lo. Falamos para nós mesmos que não podemos ofertar naquele momento, que, porém, quando estivermos estabelecidos financeiramente, daremos nossas ofertas. Ou garantimos a nós mesmos que, embora nossa oferta não seja sistemática, ofertamos muito além do nosso dízimo, se a verdade fosse essa. Essas são formas infalíveis de enganarmos a nós mesmos. Não ofertar regular e sistematicamente parece ser uma forma mais generosa do que é. Provavelmente ficaríamos bastante chocados se nos esforçássemos para ver como realmente ofertamos pouco dessa forma.

2. Nossa oferta deve ser fruto de um motivo justo

O dinheiro destinado a uma igreja ou à missão talvez seja para o ofertante um dinheiro desperdiçado, a menos que ele primeiro certifique-se de que seu coração está em sua oferta. Ofertas que não trazem o coração com elas podem fazer bem a quem as recebe, mas é certo que não trarão nenhuma recompensa ao ofertante: “Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres (…) e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1 Co 13.3).

3. Nossa oferta deve ser proporcional ao que temos

A história da viúva e suas duas moedas (Lc 21) elucida muito bem a questão. A viúva ofertou apesar de sua “pobreza”, e, embora tenha sido pequena, sua oferta foi, aos olhos de Deus, o maior tesouro de todas as grandes quantias ofertadas pelos ricos “com toda a sua fartura”. Esta é uma séria admoestação, e o melhor que temos a fazer é atentar para ela.

Nós, seres humanos, julgamos de acordo com o que vemos e, por isso, somos propensos a considerar uma grande oferta e ignorar por completo as pequenas. Ao fazer isso, estamos nos metendo em uma situação terrível no dia de Cristo. A regra mais segura para avaliar nossa oferta e determinar nossas expectativas no dia do acerto de contas é esta: lembrar que nossa oferta não será recompensada pelo quanto ofertamos, mas pelo quanto nos dispomos. Os ministros são às vezes tentados a evitar essa doutrina para não escandalizarem os principais ofertantes de sua congregação. Entretanto, é melhor escandalizar homens do que entristecer o bendito Espírito de Deus que habita na Igreja. Nenhum homem jamais destruiu uma igreja de verdade por não mais ofertar nela por causa de um ressentimento pessoal. A Igreja dos Primogênitos não depende do patrocínio de homens. Nenhum homem já foi realmente capaz de prejudicar uma igreja por boicotá-la financeiramente. No momento em que admitimos que tememos o desagrado dos ofertantes carnais em nossas congregações, admitimos também que nossas congregações não são do céu, mas da terra. Uma igreja celestial desfrutará de uma prosperidade celestial e sobrenatural. Não pode ser enfraquecida. O Senhor suprirá suas necessidades.

Ofertar de forma inteligente também é de vital importância se quisermos agradar ao nosso Pai Celestial e salvar essas ofertas do destino da “madeira, do feno e da palha” na vinda de nosso Senhor.

4. Nossa oferta deve ser feita no(s) lugar(es) certo(s)

A questão pertinente ao lugar em que devemos ofertar é ampla e deve ser bem discutida enquanto é possível. Ofertar com negligência, sem inteligência e com preconceito é perder milhões de dólares consagrados entre os evangélicos. Muitos cristãos desperdiçam suas ofertas como se não tivessem de prestar contas delas para o Senhor. Eles não compreenderam a mente do Senhor quanto à questão de suas próprias ofertas, por isso, tornam-se presas de qualquer pessoa que aparece com uma história interessante. Neste sentido, permite-se o surgimento de inúmeras extorsões religiosas, as quais jamais deveriam receber um centavo de pessoas sérias e que honram a Deus.

Ora, estamos bastante cientes de que replicar ao que foi dito acima poderia ser um pedido bem-educado para que ficássemos em nosso canto e deixássemos as pessoas aplicarem seu dinheiro onde bem entendessem; afinal de contas, o dinheiro é delas, e o que fazem com ele é de sua própria conta. Contudo, não é tão simples assim. Se devemos prestar contas de toda conversa fiada, sem dúvida, também devemos prestar contas de cada centavo. Ofertar sem constância, sem oração e com excentricidade é uma atitude que estará sujeita ao escrutínio justo de Deus no dia em que Ele julgar todas as obras dos homens. Podemos fazer algo a respeito de toda esta questão agora. Muito em breve será tarde demais.

(Extraído do livro Verdadeiras Profecias, de A.W. Tozer, reimpresso pela Editora dos Clássicos)

Escrito por: A. W. Tozer

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